MONTEZUMA CRUZ –
Extinto o Serviço de Navegação do Guaporé (SNG), o primeiro governo civil após a ditadura militar criou e fez funcionar a Empresa de Navegação de Rondônia (Enaro), cujo destino foi semelhante ao de tantas empresas prejudicadas pela malversação de recursos.
No passado, população do Guaporé valia-se dessas embarcações para chegar a Guajará-Mirim (M.Cruz/AVN)
Durante muito tempo também funcionou no extinto território federal o Serviço de Navegação do Madeira, cuja sede situa-se na atual Delegacia da Mulher. Resultado: perda total, irrecuperável, para o lado mais fraco nessa história, os usuários.
Pessoas simples e sem muitas posses formavam a clientela de passageiros das embarcações que subiam e desciam os rios Guaporé, Mamoré e Madeira, rumo ao comércio e aos hospitais de Guajará-Mirim e Porto Velho. Novas gerações de “beiradeiros” são hoje tão dependentes quanto elas, de um transporte à altura das necessidades de quem vive isolado na floresta da Amazônia Ocidental Brasileira.
Antigamente, famílias eram transportadas das barrancas, vilas e ilhas dos rios desta região, desde Vila Bela da Santíssima Trindade (MT) a Guajará-Mirim, e daqui, a Porto Velho, Manaus, Belém, ao nordeste e ao sudeste do País.
“Nos anos 1950 e 60, o estaleiro do SNG produzia balsas e batelões construídos com madeira ou chapas de ferro”, conta o acadêmico de letras e historiador Paulo Cordeiro Saldanha. “Naquele tempo os administradores públicos inventavam os meios, com criatividade, pertinácia, vontade e idealismo. Não se submetiam às dificuldades e faziam acontecer”, ele assinala.
Guajará-Mirim ensaia o apoio à volta do notável SNG, remodelado, com dirigentes responsáveis, viagens planejadas e manutenção de suas embarcações. Se os serviços funcionam bem no Acre e no Amazonas, porque não dariam certo também aqui? – é a indagação ouvida na cidade.
Há promessas quase silenciosas para se debater o assunto novamente, em reunião pública que, no entanto, exigiria o compromisso das autoridades em obter recursos federais e aplicá-los corretamente. Um acordo diplomático e comercial com a Bolívia permitiria que o país vizinho também utilizasse a empresa.
A Academia Guajaramirense de Letras e a Associação Cultural dos Filhos de Guajará-Mirim são autoras da mais recente reivindicação. Para essas entidades, Vila Bela da Santíssima Trindade (MT), Pimenteiras e Costa Marques (ambas em Rondônia) se beneficiariam tanto em períodos de enchentes, quanto em outros.
Paralelamente, as embarcações garantiriam o abastecimento direto e integrado dos municípios de Nova Mamoré e Guajará-Mirim. Seria a tábua de salvação para o escoamento de frutas, hortaliças e grãos produzidos em distritos ao longo dos rios.
Alguém pode pôr o assunto nas pautas da Assembleia Legislativa do Estado e na Câmara dos Deputados, em Brasília?
MONTEZUMA CRUZ é jornalista na Amazônia Legal.
quinta-feira, 6 de março de 2014
terça-feira, 26 de março de 2013
QUILOMBO DO PIOLHO, RESISTÊNCIA AFRO NO VALE DO GUAPORÉ

O quilombo mais conhecido entre nós é o de Palmares, localizado na Serra da Barriga, em Alagoas. Este quilombo é considerado por muitos especialistas um “estado africano no Brasil”, por outros é considerado a “República de Palmares” devido sua extensão territorial. Seu líder Zumbi dos Palmares foi decapitado, no entanto a historiografia não sabe precisar ao certo como se deu sua morte.


quinta-feira, 29 de novembro de 2012
El quilombo rebelde y la defensa de la alimentación amazónica
terça-feira, 6 de novembro de 2012
O Guaporé em Junho 2012
| Por do sol em Santo Antônio do Guaporé. |
Como fazia meses que não recebiam viositas nem atendimento, a desolação nas capelas era bastante grande, porém eles resistem no seu estilo de vida tradicional. Abaixo, o Célio de Pedras Negras, nos mostrou como se faz uma cerca para a horta, rachando tabocas, para impedir a entrada das galinhas do terreiro. Eles não precisam comprar e trazer de longe uma cerca de arame.
| Construção tradicional duma cerca para horta, sem arame. |
| O construtor é o Célio, morador de Pedras Negras. |
| Igrejas de Pedras Negras. |
| A Igrejinha de Santo Antônio precisa também com urgência trocar as táboas, ou construir as paredes com material. |
| E não falta a criançada a crescer e manter vivo o futuro. |
| O Víctor, piloto do barco, e o Padre Edmilson, diante do Dom Roberto, que mais uma vez navegou pelo Guaporé com a Equipe da Pastoral Fluvial. |
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O Rio Guaporé e as comunidades quilombolas e bolivianas
Després de força mesos he pogut tornar al Riu Guaporé. La conca del Guaporé neix al Mato Grosso i desemboca al Riu Mamoré, aquest al Madeira i després de milers de quilòmetres, finalment a l'Amazones. Estem en plena època de pluges el riu ha pujat set o vuit metres de nivell, com és normal en aquesta època. Quasi a tot arrreu les aigues han inundat els boscos de ribera dels marges, formant els "igapós", els boscos formats per arbres resistents a les inundacions de cada any. El nivell de les inundacions puja més o menys segons les pluges de cada any. La crescuda de les aigües i la pujada o baixada del nivel de les aigües del riu aquí forma part de les converses habituals, com aquell que parla del temps.
Entre la varietat de plantes flutuants o adaptades a aquesta pujada i baixada de les aigues, com l'aguapé o tarope, i la tabacana, que els seringueiros utilitzaven per fumar, hi ha una varitat d'herba coneguda com arròs d' ànec. L'herba va creixent i allargant-se al ritme de la pujada del nivell de les aigües. Diuen la gent de la regió que si l'herba para de créixer i les aigües la cobreixen, la planta mor. Però l'arròs d'ànec sap conèixer quan el riu parará de créixer i aleshores floreix i grana semblant a l' arròs. Per a la gent quan l' arròs d' ànec para de créixer i grana és un senyal clar que l'aigua ja no pujarà més amunt. Com la planta ho coneix, això és un misteri de la naturalesa.
Un igapó, bosc inundat.
A les poques illes de terra ferma, que no s' inunda, és on es concentra la població, les comunitats riberenques. Però molts dels indrets on antigament hi havia les col.locacions, o casa de "seringueiros", avui estan abandonats. La majoria de les famílies que encara viuen aquí són d'origen afroamericà. descendents dels antics esclaus portats de l' Àfrica pels portuguesos, que havien treballat a les mines d'or de Vila Bela, a les capçaleres del Guaporé, o a la construcció del Forte Prícipe da Beira. Ben aviat el Guaporé es va convertir en un espai on els antics esclaus fugien i aconseguien viure en llibertat: eren les comunitats quilomboles. La més famosa del Guaporé fou la del Riu Piolho, que va enfrentar durants anys el poder dels portuguesos, essent liderada per una dona: Tereza de Benguela. Quan l' or es va esgotar a Vila Bela, els blancs van fugir de la regió, endémica d'algunes malalties conegudes com a "màculo" o "corrupção". Tan sols els negres i els indígenes van restar a la regió, on van anar arribant antics esclaus de tot el Brasil en busca de llibertat.
Casa de la comunitat quilombola de Santo Antônio do Guaporé
Avui dia set comunitats han aconseguit el reconeixement oficial de comunitats remanescents quilomboles, i fa alguns anys la majoria estan tramitant la titulació definitiva dels seus territoris tradicionals: Laranjeiras, Rolim de Moura do Guaporé i Tarumá, Pedras Negras, Santo Antônio do Guaporé, Santa Fé i el Forte Príncipe da Beira. Tan sols la Comunitat de Jesus, del Riu São Miguel, ha rebut aquest títol complint els drets reconeguts per la constitució brasilera. Bona part dels problemes de les comunitats és que van ser creats parcs naturals a la regió, sense que fossin tinguts en compte els drets dels seus habitants tradicionals: Laranjeiras està dins del Parc Estatal de Corubiara, Santo Antônio dins de la Reserva Biològica del Guaporé, i Pedras Negras dins d'una reserva estrativista.
Aquesta realitat contrasta amb les comunitats bolivianes de l'altra banda del riu. El Guaporé és un riu de frontera, baixant el riu a l' esquerra és Bolívia i a la dreta Brasil. Pels bolivians, el Guaporé rep el nom de Riu Iténez. I al marge esquerra bolivià també és una regió de parcs naturals. Més amunt el Parc Natural Noel Kemp, aquí el Parc Integrat de l' Iténez, que combina força bé els drets de les comunitats indígenes, com els itonames de Versalles i de Mateguà, amb la conservació d'aquestes meravelloses i extenses àrees fluvials del Guaporé.
A irmandade do Divino
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| Dionisio Faustino, Presidente Geral das Irmandades do Divino do Guaporé. |
terça-feira, 11 de outubro de 2011
“PARA O MIGRANTE PÁTRIA É A TERRA QUE LHE DÁ O PÃO” (SC)
A cidade de Porto Velho vive hoje os impactos do avanço do capitalismo. Quando falamos do avanço do capitalismo estamos falando dos grandes projetos de aceleração do Crescimento – PAC, principalmente para a grande região amazônica. Aonde tais projetos chegam sem levar em conta os povos tradicionais, os indígenas, quilombolas, ribeirinhos e a própria floresta.
Tais projetos chegam e vão impondo uma nova forma de ser e viver na amazonas, sem levar em conta a riqueza humana e natural desta região. Mas tudo isso em nome do progresso – do desenvolvimento. Perguntamos-nos: Progresso para quem? Desenvolvimento para quem e para o que? As respostas dependem dos interesses dos grupos.
Outro fator que nos provoca a pensar e agir na defesa da vida é observarmos os milhares de migrantes vindos de toda região do país, sendo na sua maioria da região do nordeste do país. Estes vêem em busca de sobrevivência, em busca de pão, pão que os sustentam e alimenta seus familiares em seus locais de origem. São homens e mulheres que muitas vezes, corajosamente se colocam a caminho em busca de dignidade e do meio mais justo e honesto de serem incluídos neste sistema capitalista – ou seja, “vendendo sua força de trabalho”.
Ao chegarem se deparam com o trabalho duro, a saudade daqueles e daquelas que ficaram e os desafios de viverem em grandes grupos muitas vezes desconhecidos – anônimos.
Muitos buscam na fé a superação dos desafios e na esperança a certeza de vencerem cada dia a sua jornada e assim realizarem aquele sonho que os motivaram a sair e vir trabalhar em terras distantes. Outros, mais jovens não conseguem superar estes desafios e muitas das vezes busca sobreviver entregando as bebidas e outras formas de esquecer a dureza. Na verdade são vidas sacrificadas no altar da ganância do próprio capitalismo.
Ao andar pela cidade de Porto Velho, ruas, avenidas e praças podemos sentir e ver o quanto o “progresso” que não é destinando a todos e todas as pessoas mas tão somente a uma minoria que concentra em suas mãos o poder econômico, vemos trabalhadores que partem para mais um dia de trabalho mas vemos também seres humanos jogados pelas ruas, praças... lutando de uma forma ou de outra pela sobrevivência. Esta realidade tem aumentado muito são centenas e centenas de homens e mulheres vitimizadas por um sistema que exclui aqueles e aquelas que estão fora do mercado do trabalho ou não conseguiram se adaptar a dureza que é o trabalho nos canteiros de obras. Muitos destes não conseguem retornarem ao seu estado de origem restando assim às ruas e praças como sua casa comum.
Nossa missão enquanto pessoas comprometidas com a proposta do evangelho de Jesus Cristo é a defesa da vida dos mais pobres entre os pobres. Nossa missão é de ser igreja peregrina que para no meio do caminho, olha o irmão caído, cura suas feridas e o levamos conosco para cuidar dele. “Eu era migrante e tu me acolheste” (MT 25)
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Falece em Guajará uma das "filhas de Dom Rey"
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| Dom Rei com uma jovem formada em Guajará Mirim. Fonte: Arquivo da Diocese de G Mirim. |
domingo, 17 de abril de 2011
Atualidade do Guaporé
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
A poaia da Amazônia está sendo novamente procurada
A POAIA (ou poalha, ipeca, ipecacauanha, ou Cephaelis Ipecacuanha) é um arbusto nativo da mata atlàntica, do cerrado e da amazônia, que já foi um dos pilares da economia dos seringais. Os seringueiros trabalhavam na colheita de castanha no início de ano, partindo para a poaia e posteriormente, a extração da seringa no período da seca. A planta tem valor medicinal para tratamento de amebiase e outras utilidades, porém também apresenta importantes contraindicações.
Atualmente tem aparecido nova demanda comercial. Os membros da associação da comunidade quilombola de Pedras Negras, reclamam porém do baixo preço pago pelos atravessadores, que varia de 90 a 100 $R o kilo da raiz limpa e seca. Por outro lado, a poaia nativa foi intensamente explorada, estando em perigo de extinção.
Um comprador nos informa: "A POAIA, como é conhecida na região, só se pode exportar ou vende-la no mercado interno se for de manejo sustentável, com projetos aprovados pela SEDAM, porém ninguém ai se preocupa em fazer pelo correto, a Poaia é controlada pelos orgãos federais por ser DROGA, farmacológica (...) para comprar exigimos a nota fiscal e a GUIA GF3 que é dada pela SEDAM de PORTO VELHO, pois somente com esta é possivel o transporte da POAIA dentro do territorio nacional".
Existem estudos de cultivo que relatam que precisa de 30 plantas bem cultivadas é possível extraer 1 kg de raízes. Obrigado ao técnico da SEAGRI, Jesus Ribeiro, pela ajuda na pesquisa.
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sábado, 23 de outubro de 2010
Morre menino miqueleno
São Francisco do Guaporé, 20 de Outubro de 2010.
Aconteceu uma tragédia em Porto Murtinho. Um indígena miqueleno, neto do Sr. Urbano e D. Estelita com apenas 9 anos se suicidou com um tiro de espingarda.
Os boatos são que ele não fazia as tarefas no colégio e incomodava aos outros, a professora falou que se continuasse chamava o Conselho Tutelar.
No dia foi ao Colégio mas não entrou na sala. Chegando em casa os irmãos falaram aos pais e a professora mandou um bilhete aos pais explicando...
Pela tarde os pais foram na roça e ele diz que ficava para estudar. Chegando na roça, escutaram um tiro voltaram depressa, e chegando encontraram o menino morto na cama com a espingarda do lado e do outro o Livro e o bilhete da professora.
Ainda mais, a policia chegou e prendeu o Pai por não ter registro da espingarda.
Ele já está em casa, porém não pode acompanhar o enterro, pois teve que pagar uma fiança de R$ 1.700,00.
Uma irmâ católica e um pastor fizeram a recomendação no cemitério de São Francisco.Os miquelenos são indígenas originários do Rio São Miguel. 
Recentemente faleceu em Guajará Seu Marcílio, último miqueleno que ainda falava a língua indígena, de troco txapacura. Eles recentemente foram oficialmente reconhecidos como indígenas, e reivindicam o território tradicional.
Parte dele está dentro da Reserva Biológica do Guaporé, na localidade do Limoeiro.
Os últimos moradores do local foram expulsos pelo Ibama nos anos 84-86 e ficaram espalhados no vizinho local de Porto Murtinho (hoje distrito de São Francisco de Guaporé, e também em Costa Marques, Surpresa, Guajarás Mirim e outras localidades.
A reivindicação territorial comportou um estudo antropológico da FUNAI em 2008 e neste ano de 2010 está prevista a constituição do Grupo de Trabalho que deve definir os limites territoriais do povo indígena miqueleno.
Por causa desta reivindicação territorial os miquelenos que moram em Porto Murtinho tem sofrido pressões e ameaças dos vizinhos, especialmente quando viajam de ônibus para Porto Murtinho e inclusive para a escola pólo situada na Linha 06. 
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Festa do jacaré, dos arara de Ji Paraná
A semana passada participei da festa do povo indígena arara de Rondônia. Eles moram na região de Ji Paraná, na bacia do Rio Machado. Do contato de inícios do século XX e das epidemias dos anos 40 sobreviveram apenas umas 200 pessoas, que moram nas aldéias de Iterap e Pajpap, compartilhando a Área Indígena Lourdes com o povo gavião.
Eles mantém viva a língua arara, de tronco tupi, usando o portugués para os contatos externos. Porém como todos os indígenas, eles sofrem a demonização de suas tradiciões religiosas e culturais dos pastores pentecostais. Os missionários católicos (e luteranos), ao contrário, les animaram a realizar esta festa tradicional, que fazia cinco anos que não celebravam mais.
Com ajuda do COMIN, da Pastoral Indigenista de Ji Paraná e do CIMI, conseguiram um projeto para financiar diversas atividades de revitalização cultural: Plantio de taboca para flechas, cursos de tecido de algodão, sementes de frutas para pinturas corporais, etc.
A realização desta Festa do Jacaré significou um importante elemento de resistência, de recuperação da identidade própria e de autoafirmação cultural e tradicional. Isso lhes ajudará a ficar mais unidos e enfrentar os diversos desafios que os amenaçam. Entre eles, a construção duma barragem no Rio Machado, a hidrelétrica de Tabajara.
Fiquei soorprendido de que além dos momentos rituais e de dança, de banquetes e de celebração, teve demorados momentos (eu quase não entendia nada) nos quais as principais lideranças (e todos os que desejaram) poderam se expressar e manifestar. Inclusive diversas mulheres falaram. 
Pedro Arara, o cacique de la aldea de Pajpap, e a esposa dele, Maria, receberam e acolheram todos os convidados da aldéia vizinha e todos os visitantes convidados por eles.
Enfeitados com os vestidos, pinturas e tradicionais cocares de penas, os arara incorporaram na festa todas as gerações: desde bebés até anciãos, passando por jovens e adolescentes, homens e mulheres. Inclusive muitos que já tem aderido ao agressivo cristianismo pentecostal participaram das danças, pinturas e rituais. Até da bebida fermentada de batata doce e macaxeira: a macaluba. Do qual todos foram bebendo nos momentos importantes, sem que ninguém chegasse a ficar bêbado.
Os guias da festa, os pajés, líderes espirituais e culturais da comunidade, dedicaram-se a fondo e estavam exultantes revivendo os rituais de profunda significação comunitária. A Festa do Jacaré foram uns dias extraordinários.
sábado, 11 de setembro de 2010
Imagens do Guaporé
Lindas imagens da visita a Rondônia de Maria e Javier, vindos de Zaragoza (Espanha) que estiveram no madeira, em São Miguel do Guaporé, em Ji paraná e também no Rio Guaporé no mes de Agosto. As fotos são de Maria.




domingo, 11 de abril de 2010
Os wuajuru
Os indígenas wuajuru são nativos da região de Rolim de Moura do Guaporé, localidade ribeirinha e quilombola que hoje está dentro do município de Alta Floresta. Foi pela mão do jesuita potugués Pe. Agostinho Lourenço que próprio Antônio Rolim de Moura Tavares, primer Capitão General do Mato Grosso, no século XVIII fundou o lugar como Missão de São José.
Já no começo deste século achamos apenas na região pequenos grupos de indígenas sometidos pelos seringalistas no Rio Mequéns e no Colorado, em colocações conhecidas como Cerrito, Ururões e igarapé Terebinto. Aqui é onde residiam os wuajuru.
Um grupo indígena restou sempre irredutible vivendo em liberdade isolados na floresta. Ainda hoje continuam sem contato na terra indígena Massako, a primeira a ser demarcada no Brasil para um grupo indígena isolado.
Enquanto que seus vizinhos mequens e sakarabyat conseguiam demarcar também uma pequena parte do seu território no Rio Mequens, os wuajuru tiveram pior sorte e foram despejados pelos jagunços das empresas Camargo e Corréia e Rober, que abriram fazendas no lugar onde moravam.
Hoje é o ex governador de Rondônia, Ivo Narciso Cassol quem comprou estas fazendas, e alguns dos mesmos capangas que expulsaram os indígenas continuam ainda aí, ameaçando eles.
Parte dos indígenas wuajuru foram morar nas aldéias indígenas da Baia das Onças, Ricardo Franco, no baixo Guaporé, e no Río Mamoré, na aldéia de Deolinda. Outros moram em Guajará Mirim e Pimenteiras. Algumas mulheres casaram com quilombolas e com seringueiros e moram ainda em Rolim de Moura do Guaporé.
Foi neste lugar que os wuajuru começaram a se reencontrar, reivindicando o reconhecimento da identidade dos indígenas dos moradores do lugar, a revitalização de sua língua e cultura (hoje a língua wuajuru tem apenas dois falantes) e a devolução do seu território tradicional.
Foi de Ricardo Franco para Rolim do Guaporé que o barco Dom Roberto fez sua primeira viagem deste ano 2010. Aproveitando par deixar na aldéia de Ricardo Franco um grupo de pajés do Río Branco que iam realizar seu encontro tradicional, quatro famílias de wuajurus embarcaram, adultos e crianças nesta semana santa.
O Dom Roberto remontou penosamente a forte corredeira Guaporé, própria desta época de chéia. Problemas na bomba de água atrapalharam todo o percurso, tendo que trocar duas vezes de corréia. Porém tocando o leme dia e noite, ainda sobrou tempo para pescarias de piranha e para uma parada no meio dia, respeitando o dia santo da sexta feira. Pela noite do domingo de Pásqua o barco estava em Rolim de Moura.
Pelo caminho, rápidas paradinhas em Costa Marques, Santo Antônio e Pedras Negras permitiram conhecer também a evolução das comunidades quilombolas nestes meses.
Enquanto em Surpresa começava na segunda feira a Romaria do Divino de 2010, os wuajurus se encontravam, irmâs com imâs, parentes com parentes, reforçando os lazos de identidade enfraquezidos pela dispersão, reunidos em assembléia.
Com presença de representantes do CIMI, da Funai, do Ministério Público Federal, da Secretaria Municipaç de Educação e da Polícia Forestal sediada em Rolim do Guaporé, diversos assuntos foram tratados.
Um dos desejos, de visitar o lugar de origem, o Cerrito, não foi possível realizar por estar o rio entupido de cochas e a estrada por terra trancada com cadeado.
Porém o retorno na terra tradicional recebeu notícias animadoras do MPF, anunciando que o departamento de demarcação de terras da Funai já disponibilizou recursos no orçamento deste ano para começar um estudo preliminar oficial.
Não somente das terras wuajurus, mas também dos Cojubim, no Rio Cautário, e o GT dos territórios miqueleno e puruborá.
Apesar da destruição que algumas pessõas, sem consciência do valor do patrimônio arqueológico, ainda em toda a beira do rio de Rolim é possível observar potes enterrados no chão da cerâmica que deu fama a Missão de São José.
Eu mostrei alguns destes pedaços recolhidos no chão pelas ruas aos alunos da escola, para os quais expliquei as origens dos povos indógenas e quilombolas na região, com as sucessivas colonizações e frentes de penetração.
Rolim de Moura do Guaporé vive um momento de especulação mobiliária provocada pela abertura da estrada até a Baia da Ponte e uma forte presença de turistas e pescadores amadores no tempo da seca. Os originários do lugar, que cuidam das praias i da preservação dos quelônios, sentem que a pesca já diminuiu com a abertura da estrada e a chegada massiva de pescadores sem muito controle. A administração tem distribuido datas para construção de casas, porém os filhos da terra não tem recebido delas.
Por outro lado, a través do Programa Terra Legal, que começar a regularização fundiária, sem que ainda esteja resolvida a criação dos territórios quilmbola e indígena na comunidade.
De retorno, as famílias wuajurus visitantes não carregavam somente macaxeira, carne ecomida fornecida pelos parentes de Rolim. Também mudas de banana, sementes de fruteiras, de feijão, ramos de macaxeira para plantar, galinhas e até cachorrinhos.
domingo, 28 de março de 2010
O "Dom Roberto" no porto de Costa Marques
As águas estão bem altas no porto de Costa Marques, e o barco da Pastoral Fluvial está esperando por novas viagens no Guaporé.
Foto: Regis
domingo, 3 de janeiro de 2010
Missão na Diocese de Humaitá - Amazonas
A pedido das Irmãs que atendem os ribeirinhos da Diocese de Humaitá, o Pe. Irço Ferreira das Neves foi celebrar nas comunidades do Rio Madeira e lagos Baetas e Acará de 14 de Novembro à 07 de Dezembro de 2009.
Avaliação:
Batizados: 28.
Primeiras Eucaristias: 28.
Celebrações: 22.
Unção de doentes: 3.
Membros da Equipe:
Salvador Evangelho de Castro.
Sebastião (Sabá) Barbosa Moreiro.
Ir. Iandra Jaqueline Conrado.
Ir. Angélica Tonetta.
Pe. Irço Ferreira das Neves.
Pontos Positivos: Celebrações e reencontros com as comunidades, preparo das próprias comunidades (fogos, cantos, ornamentos, primeiras comunhões bem preparadas pela catequese, boa participação das pessoas. Partilha no falar e no dízimo, comunhões e partilha e oração comunitária. Respeito com as lideranças. Respeito pela presença do Padre. As famílias com situação razoável, tendo alimento suficiente.
Consciência da preservação dos lagos e caças. Alegria pelo gesto de bombons oferecimento às crianças. A maneira de valorizar as crianças nas brincadeiras e na liturgia por meio de cantos novos. Bom entendimento da equipe, espírito de oração, de horário. Atendimento ao pedido das irmãs, disponibilidade dos membros da equipe na refeição.
Dificuldades: Entre comunidades, fofoca, bebidas, não participação de algumas famílias.
Fotos Ir. Iandra.
Ribeirinhos do rio Madeira na Diocese de Humaitá, 06.12.2009.
domingo, 22 de novembro de 2009
Ataques contra bispo e padres de Guajará Mirim
ATAQUES CONTRA BISPO E PADRES DE GUAJARÁ-MIRIM
EM SÃO FRANCISCO DO GUAPORÉ - RO
O povo católico de São Francisco do Guaporé ficou revoltado pelos ataques e calúnias contra seu Bispo, Dom Geraldo Verdier, contra um padre de sua diocese, Padre Josep Iborra Plans (Pe. Zézinho) e contra o CIMI (Conselho Indigenista Missionário), por parte de políticos do Município de São Francisco e por um Deputado Estadual de Rondônia.
A Audiência Pública, convocada pela Câmara dos Vereadores, aconteceu no dia 7 de novembro de 2009, na Linha 6 de Porto Murtinho, na Escola Polo Pereira e Cáceres, com a presença de 150 pessoas. O Senador Valdir Raupp e a Deputada Marinha Raupp estiveram presentes numa parte da audiência. Foi depois da saída deles que o ambiente se tornou de uma violência intolerável, chegando até à instigação do povo para a efusão de sangue! Vamos aos fatos.
1. Ausência do Bispo na Audiência
O Senhor Prefeito de S. Francisco do Guaporé, Sr Jairo Borges Faria chamou a atenção do Bispo Guajará-Mirim de modo inconveniente : “Cadê a Igreja? Cadê o bispo? Eu quero o bispo aqui explicando para a gente o que realmente está acontecendo, porque eles querem tomar nossas terras! Porque o Bispo não veio a esta audiência?
- Senhor Prefeito, em 31 anos de administração diocesana, jamais falhei a um compromisso assumido. Jamais fugi de uma situação de crise, de violência, de injustiça atingindo meus diocesanos. Se não estive presente em São Francisco (1.000 km de Guajará), é simplesmente pelo fato que o Presidente da Câmara não me informou, nem me convidou por internet, telefone ou fax, nem por intermédio do Pe da Paróquia, Pe Francisco Trilla.
Quanto à grave acusação : “Estes padres não gostam de quem planta na terra, eles querem que a gente passe fome, se humilhe na fila do sopão, que a gente fique mendigando e passando necessidade”, estas palavras demostram que Va Excia não conhece a atuação dos padres, das Irmãs e dos leigos voluntários da Igreja Católica nesta região, desde 1932. A Igreja mantém obras sociais e promocionais como o HOSPITAL BOM PASTOR (45 anos) e a Escola Profissionalizante “CENTRO DESPERTAR” (20 anos) em Guajará-Mirim, para 500 alunos, e agora está formando 1.000 operários, a pedido da Firma “Camargo Correia”, para a Barragem de Jirau. A diocese construiu, ainda em Guajará-Mirim, uma bela e espaçosa casa para os anciãos, a CASA SÃO VICENTE DE PAULO. Além do mais, criou em Costa Marques, há quarenta anos, um JARDIM DE INFÂNCIA, “BEIJA FLOR”, que forma 350 crianças, a maioria de famílias carentes. Em termos de promoção social, o padre Zezinho espalhou dezenas de placas solares para os ribeirinhos e colonos do Vale do Guaporé, e por iniciativa dele um grupo de 26 agricultores das paróquias desta região, dois deles das Linhas de Porto Murtinho, são beneficiadas por um projeto de agroecologia, e a Igreja Católica tem financiado a construção dos dormitórios da Escola Família Agrícola (EFA) de São Fancisco do Guaporé.. Temos ainda um escritório para a documentação dos Bolivianos no Brasil e uma equipe que financia telhados para os carentes, construindo sua primeira casa.
E quando Va Excia fala de “humilhar-se na fila do sopão”, lembro que aqui, em S. Francisco do Guaporé, o Irmão José Maria Sala atende no seu sopão, há quase 7 anos, com recursos próprios e do povo generoso desta cidade, 2 vezes por semana, 30 famílias carentes! Sopão que, infelizmente, poderá ser fechado por falta de ajuda suficiente, pois recebe apenas 400 RS mensais de vossa administração municipal.
2. Graves acusações do deputado Estadual Lebrão
O senhor José Eurípides Clemente (deputado Lebrão) foi mais contundente ainda em suas ofensas e acusações. Isto me choca tanto mais, este que sempre me manifestou respeito e atenção. Nesta Audiência Pública ele passou dos limites.
O primeiro ataque frontal foi contra os estrangeiros: “Não sei por que têm tantos estrangeiros aqui nessa região? Eles são todos espiões! Querem explorar nossas riquezas”.
Deputado, todos entenderam que Va Excia se referia ao bispo e aos padres Claretianos da região. Dizer que “são todos espiões” é uma calúnia e uma injustiça que ofendem toda a Igreja Católica!
Enquanto ao número de estrangeiros, quero salientar o seguinte: Pe José Roca, Irmão José Maria, Pe Zézinho e eu mesmo somos naturalizados brasileiros. Uma vez aposentado, pretendo deixar meus ossos na beira do Guaporé, nesta terra e no meio deste povo que amo e que me manifesta tanto carinho. Para tranquilizá-lo, informo que os três quartos de meus padres são brasileiros natos!
Nem acreditei quando li no relato da Audiência esta afirmação que muito me chocou: “Basta olhar para os meninos de olhos azuis correndo por ai e perguntar de quem são filhos?”. Esta infeliz ironia machucou o povo católico que conhece a dignidade de vida de nossos padres e sua dedicação.
Enfim a declaração mais grave: “Vocês, moradores, precisam defender suas terras com unhas e dentes, nem que corra sangue na canela!”. Deputado, esta incitação à violência dá a impressão que regredimos num tempo em que a Amazônia era uma terra sem lei! O que não é o caso, o senhor bem sabe!
Tudo isso me deixou estarrecido! Passamos agora à posição da Igreja no conflito entre colonos e índios, que motivou a Audiência Pública: .
Sabemos que anos atrás, ali no Limoeiro e no Rio Mané Correia , tinha índios e foram expulsos de suas terras. A história nos diz isso e os documentos o comprovam.
Sabemos que muitos posseiros, vieram de outros lugares à procura de um pedaço de terra para o sustento de suas famílias, sem saber se ali seria área indígena ou não. Muitos morreram com malária e outras doenças. Outros não suportaram o sofrimento e foram embora. Mas muitos resistiram às doenças, estradas ruins, dificuldades financeiras e etc. E hoje, essas pessoas se encontram com a grande preocupação de perderem suas terras.
A igreja, nem o CIMI, tem poder de decidir se as terras voltam para os índios ou se ficam com os posseiros. Isto é privilégio e dever dos orgãos governamentais, que só respondem pela demarcação de terras.
Portanto, a Igreja e o CIMI não respondem pela demarcação de terras, como alguns dizem ou pensam. A Igreja, porém, não pode ficar fora da luta. Ela sempre está e estará ao lado dos mais injustiçados e sofridos.
Nós, Bispo, Padres, Irmãs, missionários leigos, brasileiros e estrangeiros não possuímos nenhumas terras aqui. Somos simplesmente enviados em missão de evangelizar e de lutar por um mundo mais justo.
O Padre Zezinho, o mais criticado, tem visitado as comunidades dos ribeirinhos e ajudado naquilo que ele pode. Não existe nenhum político que tenha feito um trabalho a favor deste povo ribeirinho (saúde, reconhecimento das comunidades quilombolas e placas solares) como o padre Zezinho, povo esse, que muitas vezes fica abandonado pelos políticos.
Nós como Igreja, vamos continuar fazendo a nossa parte. Por isso, diante dos fatos ocorridos, declaramos que:
• Os Índios Puruborá têm o direito de recuperar uma parte das terras que lhes tiraram; e os Índios Miguelenos têm o direito de voltar à área do Limoeiro que eles reivindicam.
• Nenhum pequeno produtor que conseguiu sua terra com esforço e dignidade, perca esta terra ou seja prejudicado.
• As autoridades responsáveis pela demarcação de terras agilizem esta demarcação, para que todos, índios e colonos, tenham paz e possam viver como irmãos.
• Qualquer pessoa, antes de acusar a Igreja, procure conhecer o trabalho que ela realiza com amor e justiça há décadas!
Dito isto, vamos continuar, com serenidade e confiança em Deus, o nosso trabalho de evangelização e lutar, sem ódio, mas com firmeza, por um mundo de justiça, solidariedade e paz.
São Francisco do Guaporé, 20 de novembro de 2009
Dom Geraldo Verdier
Bispo de Guajará-Mirim



