terça-feira, 12 de agosto de 2008

Os companheiros claretianos

Nestas semanas, com o barco "Dom Roberto" esteve visitando algumas comunidades do Rio Guaporé. Em Santo Antônio passamos alguns dias colocando as janelas da igreja e placas solares numa dúzia de casas. Fazia anos que lhes prometiam motor de luz e até agora, nada. Estiveram comigo seis companheiros claretianos da Catalunha. Pensei que fossem os primeiros missionários claretianos a vir comigo pelo Guaporé. Porém não eram: O primeiro foi o Pe. Xavier Saigí, em 2002. Estivemos também com eles na comunidade boliviana de Versalles, menos aristocrática que a homônima francesa. No dia 06 de agosto celebramos com eles a festa da pátria de Bolívia.
Foto: Moçada de Santo Antônio.Foto: Joan Bové

Fiquei admirado como celebraram a festa da pátria, com grande esforço e dedicação. Esta pequena localidade isolada de indígenas itonamas, com tropa de seis soldados e dois oficiais, no dia 06 de agosto celebrou sua identidade e orgulho de ser bolivianos, com bastante presença de convidados brasileiros das comunidades vizinhas.
Anos atrás, o Pe. Xavier Saigí também esteve conosco nesta comunidade, visitando a missão e pelos mesmos lugares. Ele foi dos primeiros a me animar neste serviço da pastoral fluvial e me ajudou a comprar o primeiro barco. Depois batizei o barco com seu nome, em agradecimento e homenagem, pois durante a viagem de retorno, o Pe. Xavier faleceu de infarte fulminante, no aeroporto de Porto Velho. Apesar de sua curta visita, foi o primeiro de nós a deixar os seus dias nesta terra amazônica.
Agora chegaram de visita outros seis missionários claretianos. Alguns estiveram trabalhando em Santo Antônio instalando painéis solares. Eles estavam financiados com o restante das ajudas da empresa catalana Fundició Benito Dúctil. Outros pelo escritório da advogacia espanhola da Fundación Uría, e as restantes pelo projeto de Manos Unidas.
Os companheiros claretianos que estiveram comigo foram os padres Joan Soler e Ramon Olomí, e também quatro estudantes de teologia. Dois deles, Thomas Pullikatil y Hellin John, son claretianos originarios da Índia, com seu diploma de teologia recém conseguido; e os outros dois catalães: Josep Codina, que já esteve dois anos em Rondônia de cooperante, e Joan Bové, da cidade de Valls. Dos indianos, Hellin procede de família de pescadores marítimos e logo gostou da pescaria nestas águas amazônicas. Na família de Thomas, eles trabalham uma plantação indiana de seringa, e aqui descobriu a terra de origem das árvores que sustentam sua família, plantados na Ásia com sementes roubadas da Amazônia pelos ingleses, no século decenove.
Todos eles chéios de coragem vieram ao Guaporé, enfrentando as pragas e confiando neste barco de construção artesanal. A primeira noite o barco metia água e tivemos que ir fechando com estopa todos os buracos. Depois, um dia o motor parou. Limpamos o filtro de diesel, porém não deu para o colocar de novo. Arrumamos uma mangueira direto do tanque de diesel.E assim continuamos com alguns problemas, que fomos resolvendo sobre a marcha e com algumas ajudas, até conseguir retornar a Costa Marques. No sem primeiro encalhar numa das muitas praias que neste tempo aparecem por toda parte.
Porém ninguém tira deles ter desfrutado da natureza exuberante deste rio amazônico, chéio de aves, de fauna, de peixes e de variada vegetação. Os que já costumamos não ligamos muito pela paisagem, porém o rio se impõe com sua beleza serena e majestade admirável.
Quase em contraste, a luta das comunidades por uma vida de dignidade e justiça. Em Santo Antônio e em Pedras Negras me comentam alguns dos problemas das associaçães quilombolas, criadas para registrar os territórios que lhes pertencem de tempo imemorial. Eles lutam com sua persistência em ficar nestas regiões, com muita caça e pesca, porém muito sofrido para viver e trabalhar, com uma capacidade infinita de resistência. Muitas vezes a gente desanima. Fazia mais de ano que estávamos com as janelas da capela de Santo Antônio por instalar. Para os que chegamos de fora, as vezes parece que tuda vai devagar demais. Porém eles enxergam longe, e sabem que ainda tem muito caminho pela frente, para seguir adiante com a vida deles e ver reconhecidos seus direitos.

2 comentários:

JM CAPAPE disse...

O trabalho dos missionarios claretianos em Rondônia é muito interesante e importante nao só para os pequenos agricultores, as familias, os ribeirinhos... mais tambem para eles, para a igreja nao esquecer da importancia de ser a voz dos que nao tem, de ficar perto das pessoas mais carentes, de escutar a aqueles que ninguem escuta. No Guaporé voces som dos que visitam sem esperar nada em troca, dos que viajam só para conhecer, para celebrar uma misa, para... Todos os missionarios deveriam pasar uns dias no rio.

Anônimo disse...

Oi J Manuel. Espero que possas também estar uns dias no Guaporé, conhecendo estas comunidades. Meu abraço! Pe. Zezinho